O tempo voa

O sol vai sumindo no horizonte, enquanto os pássaros farfalham no topo das árvores. Os homens estão voltando, enchendo as ruas. As casas vão se acendendo… É o automático que roda os ponteiros do mundo. Dias vêm e vão, sempre com os passarinhos que farfalham e os humanos que sempre voltam em vão? Tic, tac, […]

Espelho

Todo mundo morre… Uma vez me disseram. Esqueceram-se dos detalhes, Dos óbitos não planejados pela dona Morte.   É natural morrer… Uma vez me disseram. Apenas não contaram: Muitas vezes não por causas naturais.   Simplesmente um ciclo da vida… Uma vez me disseram. Não recordaram dos números, Poucos completam o ciclo da vida.   […]

Ser

Nada mais do que um amontoado Cheio de passado. Com sorrisos espalhados, Alguns medos engavetados, Anseios escondidos. Apenas um relicário. Flores mortas pelo chão, Muitas incertezas, Atrasos demais, Beijos que não foram dados. Nada além de uma bagunça aguda, Nem faxina ajuda. É difícil, e ótimo, morar em mim.      

A arte em ser.

  Aquarelado, De linho, Ou já mofado.   Você era, Ou talvez ainda seja, De pedra lapidada, Com sorrisos, Que artistas pintaram.   Gostaria de ter um nome, Um singelo nome, Pra te chama.   Penso que poderia ser Tião, Leonardo, Quem sabe ainda Rafael, João… O senhor sem nome que me sorria.   Alguém […]

Sonhos descartáveis.

Eu vejo pessoas, Olheiras de três dias ou mais… As bocas, secas, Com sede de sonhos.   Olho as mãos bobas, Que deixam cair As coisas, Os sonhos.   Observo o cansaço, Que destrói as faces, Os corpos, Os sonhos.   Admiro o céu, Com seu véu de estrelas, Que acende os sonhos, Que o […]

Ei de querer.

Veste-se de cinza, Ó, céu nobre! Enobrece-me de amor, Faz-me Marília, Toda vez que ficar Ismália.   Entretanto, não me negue Suas luas. Quero os campos, as corredeiras, Mas o mar me envolve. Ó, céu e mar! Faz-me Marília, Quando por delírio ficar Ismália.   Ei de querer viver intensamente, Desde o vigor das manhãs, […]

O amor move.

Joana é uma dessas garotas quase comuns, ela está sentada em um sofá macio cor esmeralda, ela observa os retratos de familiares na parede, uns sorriem, outros encaram, outros parecem há muito estarem mortos, ela não usa branco, ela veste magenta, seu vestido esvoaçante vai até o pé. Sua mãe serve a ceia, simples, modesta. […]